O Ministério Público de Sergipe (MPSE), por meio do Centro de Apoio Operacional (CAOp) dos Direitos da Mulher e da Coordenadoria de Comunicação Social, iniciou nesta quarta-feira, 1º, uma série de visitas a veículos de comunicação do Estado. A iniciativa busca sensibilizar profissionais da imprensa sobre a abordagem cuidadosa e responsável em casos de feminicídio. A ação é motivada pelo aumento de ocorrências registrado em Sergipe neste início de 2026.
Durante as visitas, a instituição apresentou diretrizes fundamentais para que a imprensa mova a narrativa da simples narração do crime para a contextualização da violência estrutural. O objetivo central é evitar a revitimização e garantir que o feminicídio seja tratado como uma grave violação de direitos humanos.
A Diretora do CAOp da Mulher, Verônica Lazar, destacou que a abordagem jornalística deve ter um cunho ético e de muita responsabilidade. “Estamos sensibilizando os órgãos de imprensa para que busquem responsabilizar verdadeiramente o autor do crime e não revitimizar a vítima ou seus familiares”, explicou a Promotora de Justiça. Segundo ela, os veículos visitados demonstraram abertura para atuar em parceria com o Ministério Público na disseminação de diretrizes que respeitem a dignidade das mulheres.
As orientações técnicas entregues aos profissionais incluem o uso correto do termo “feminicídio” quando o crime decorrer de violência doméstica ou menosprezo à condição de mulher. O material instrui que a imprensa evite termos como “crime passional” ou justificativas baseadas em “não aceitação do fim do relacionamento”, pois tais expressões romantizam o assassinato. A orientação é focar nas ações do autor e não na vida pregressa da vítima.
Outro ponto essencial reforçado durante as visitas é o combate à espetacularização e à exposição desnecessária de familiares e crianças órfãs. O MPSE recomenda que não sejam utilizados detalhes mórbidos ou imagens de corpos, transformando a dor em entretenimento. A cobertura deve ser técnica, evitando descrever o agressor como um “cidadão de bem” que apenas “perdeu o controle”.
O jornalismo responsável também deve atuar na divulgação da rede de apoio e canais de denúncia. O MPSE orienta que as matérias incluam o 190 (Polícia Militar – em caso de flagrante), o 181 (Polícia Civil – crimes recorrentes), o 180 (Central de Atendimento à Mulher), e a Ouvidoria do Ministério Público pelo número 127. Essas informações são vitais para que mulheres em situação de risco saibam onde buscar acolhimento.
A campanha e o material informativo, que incluem um QR Code com vídeo explicativo, foram elaborados em uma parceria entre o CAOp dos Direitos da Mulher e a Coordenadoria de Comunicação Social do MPSE.
> Confira abaixo o material disponibilizado





