O Ministério Público de Sergipe (MPSE), em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT/SE) e o Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, realizou nesta terça-feira, 9, um abraço simbólico em celebração aos três anos de funcionamento do Centro de Referência de Atendimento Integral Infantojuvenil (CRAI Sergipe). O ato reuniu representantes de diversos órgãos públicos, profissionais da rede de proteção e instituições parceiras, reafirmando o compromisso coletivo no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes.
Estiveram presentes o Procurador-Geral de Justiça, Nilzir Soares Vieira Junior; a Procuradora de Justiça Maria Conceição de Figueiredo Rolemberg; e os Promotores de Justiça Lilian Carvalho, Talita Cunegundes e Rogério Ferreira, além de membros do MPT/SE, do Judiciário, dos Conselhos Tutelares e da rede interinstitucional.
Criado em 2021 por meio de articulação do MPSE, MPT, Secretaria de Estado da Saúde e outras instituições, o CRAI Sergipe se tornou referência estadual ao oferecer, em um único espaço, atendimento psicossocial, escuta especializada, perícia médico-legal e acompanhamento multiprofissional. Em três anos, já realizou mais de 10 mil atendimentos.
A Promotora de Justiça da Infância e Adolescência, Lilian Carvalho, destacou que o equipamento transformou o percurso de acolhimento às vítimas de violência sexual, que antes eram obrigadas a circular por diversos órgãos para receber atendimento. “A criança ou adolescente que sofreu violência sexual precisava peregrinar por vários espaços. Aqui, ela chega e é acolhida em um ambiente preparado para recebê-la. Realiza atendimento psicológico, social, de saúde e a perícia no mesmo local, de forma humanizada. Isso reduziu a revitimização e aumentou a confiança das famílias.”
Ela ressaltou ainda que o crescimento dos registros também reflete maior confiança no serviço. “Os números têm crescido, mas isso mostra que as pessoas se sentem acolhidas. Se não houver denúncia, permanece a subnotificação e a violência continua.”
Durante o ato, Lilian Carvalho lembrou que a criação do CRAI foi viabilizada com recursos de acordos homologados pela Justiça do Trabalho e celebrou a presença dos diversos atores da rede.
A coordenadora do Centro, Lourivânia Prado, enfatizou que o aumento dos atendimentos revela tanto a ampliação da visibilidade do serviço quanto o desafio da subnotificação, já que muitos casos ainda não chegam ao conhecimento da rede. “A sociedade começa a olhar de forma diferente para a vítima e a trazê-la para cá. Mas sabemos que ainda há medo e muitos agressores estão no âmbito familiar. Este abraço é para agradecer e fortalecer a missão de cuidar. Ninguém trabalha sozinho: precisamos da saúde, da segurança, da assistência, da escola, de toda a rede.”
Ela também ressaltou a relevância da capacitação iniciada pelo Unicef. “O conhecimento precisa ser aprimorado continuamente. A formação qualifica a escuta para que a vítima não seja revitimizada e se sinta segura.”
O Procurador do Trabalho, Emerson Albuquerque, reforçou o papel do equipamento como instrumento essencial de enfrentamento à violência sexual. “Este é um espaço de enfrentamento dessa triste chaga social que ainda existe. O objetivo é diminuir e, quando a sociedade evoluir, eliminar essa violência. Temos muito orgulho do que foi construído com recursos destinados pelo MPT e Justiça do Trabalho, em parceria com o MPSE e o Estado. Nesses três anos, o CRAI tem prestado um serviço muito relevante, amenizando o sofrimento das vítimas.”
> Capacitação do Unicef e criação de Comitê Gestor
A data também marcou o início da capacitação do Unicef “Escuta Protegida em Sergipe”, direcionada aos profissionais do CRAI e de instituições parceiras, com foco no aprimoramento das práticas previstas na Lei 13.431/2017.
Fotos: Eric Almeida/MPSE





