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Visibilidade Trans: MP promove campanha para levar informação e pedir mais respeito

Sou muito mais que seu preconceito. Respeitar é seu dever e ser quem eu sou é meu direito!” e É preciso perceber que cada um de nós é muito além daquilo que se vê” foram frases escolhidas pela cabeleireira, maquiadora e mulher trans Lanna Feitosa Rafael e pelo designer gráfico e homem trans Jean Loius Frazão, respectivamente, para a campanha do Ministério Público de Sergipe em apoio ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado nesta quarta-feira, 29.

A data nos lembra a importância das reflexões e ações sobre as condições em que vivem as pessoas trans no Brasil. A maioria, não têm respeitados, desde muito cedo, direitos básicos e fundamentais, como educação, saúde, moradia digna, convivência familiar, pleno emprego, liberdade de ir e vir, e até mesmo o direito à vida. E tudo isso por conta de um preconceito que vem da desinformação. Não podemos esquecer que, como qualquer pessoa, mulheres e homens trans são titulares desses direitos, cabendo ao Estado e à sociedade respeitar a condição de pessoa humana de todos os cidadãos, sem distinções fundadas na identidade de gênero de cada um”, frisou o promotor de Justiça e coordenador da Comissão dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros (LGBT), do MPSE, Francisco Lima Júnior.

O Brasil é o país que mais registra assassinatos de pessoas trans no mundo, particularmente das travestis e mulheres trans e, segundo a Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), com base na publicação da Rede Trans Brasil, em 2019, o Estado de Sergipe é o primeiro do Nordeste e segundo do Brasil em números de assassinatos a pessoas transexuais e travestis.

Não podemos admitir que pessoas trans vivam com uma expectativa de vida de menos de 40 anos de idade, no país que mais mata pessoas unicamente por essa condição inata. Precisamos saber, discutir, aprender e agir para mudar essa realidade, e por isso o MPSE, por meio da Comissão LGBT, vem promovendo eventos, participando de debates e se aproximando da sociedade, preparando, assim, seus membros e servidores, para que atuem no sentido de efetivar os direitos da população trans do nosso Estado”, ressaltou o promotor de Justiça.

Visibilidade X Preconceito

Em entrevista ao MP, Jean e Lanna falaram sobre o que seria visibilidade para eles, comentaram sobre dificuldades enfrentadas no dia a dia e preconceito.

Jean Loius FrazãoQuero deixar bem claro que minha fala não representa todos os trans, pois dentro de cada um existe uma voz e uma narrativa. O dia da visibilidade trans é um marco histórico onde posso iniciar a jornada da inserção do meu ser na sociedade. Ainda não chegamos onde queremos mas, a meu ver, Aracaju está no caminho, crescendo gradativamente.

Para um homem trans a passabilidade socialmente cai como um presente, pois não sofremos tanto preconceito quanto as meninas trans.
Contudo, existem muitas dificuldades em alguns serviços na rede pública, a exemplo da área da saúde, porque infelizmente não nos permite fazer alguns exames devido ao gênero não ser condizente com a genitália. A maior dificuldade é desvincularem a genitália do gênero.

Para mim, dar visibilidade é levar informação. Fazer o outro entender evita constrangimentos. Eu acredito que educação e respeito podem acabar com o preconceito. Tudo que é difícil para o ser humano entender, é mais fácil repudiar do que aprender.

Lanna Feitosa RafaelO dia visibilidade trans é muito especial, pois mostra a nossa conquista, de poder ter um espaço para que sejamos sempre lembradas e lembrados! Vejo que, mesmo com toda a dificuldade, as coisas estão, aos poucos, favorecendo a nossa classe.

Para mim, visibilidade é inclusão social e participação. Uma das maiores dificuldades enfrentadas é a falta de empregabilidade. Os empregadores não são capazes de perceber que, além da identidade de gênero, existem personalidade e profissionalismo.

O preconceito surge com a falta de conhecimento e com a ignorância das pessoas. Queremos respeito e empatia.

Agradecemos ao Ministério Público de Sergipe pelo convite para participar da campanha. É bom saber que temos apoio de pessoas capacitadas e que nos ajudam a enfrentar nossas dificuldades perante a lei e a sociedade. Isso já é uma grande vitória. E, o melhor é saber que, dentro do MP, o público Lgbtqi+ tem essa conquista.

Núcleo de Comunicação

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Fotos: Celene Moraes

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