A Procuradoria-Geral de Justiça, por intermédio do Centro de Apoio Operacional da Infância e da Adolescência (CAOpIA) e da Escola Superior do Ministério Público, com a participação dos Centros de Apoio dos Direitos Humanos e da Mulher, promoveu o seminário “Vida: Valorize e Preserve! O Ministério Público e a Sociedade pela Preservação da Vida”. A iniciativa faz parte das ações institucionais sobre o “Setembro Amarelo”, campanha de conscientização relativa ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro).
O evento contou com a presença de renomados palestrantes, mobilizando a rede de proteção, estudantes, professores, profissionais de saúde e a sociedade civil. Todos manifestaram preocupação com os índices de automutilação, tentativas, e consumação de suicídio entre crianças e adolescentes. De acordo com pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo e publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria, entre 2006 e 2015, a taxa de suicídio entre adolescentes que vivem nas seis maiores cidades brasileiras aumentou 24%.
Representando o procurador-geral de Justiça, Eduardo d’Avila, a procuradora de Justiça e coordenadora geral do MP, Christina Brandi, fez uma saudação aos presentes e comentou que, conforme dados do Centro de Valorização da Vida, a cada 45 minutos um brasileiro comete suicídio. “Esse número deveria ser suficiente para estimular pessoas a se mobilizarem pela prevenção dessas mortes precoces, mas, apesar de alguns avanços, tabus, preconceitos e vergonhas ainda são adversários nessa luta”, frisou.
Foram proferidas 6 palestras e debates com a participação do público. Na primeira delas, a médica psiquiatra Ana Angélica Salmeron, que atua na maternidade Nossa Senhora de Lourdes, abordou o tema “Um olhar prioritário sobre a criança e o adolescente”. Em seguida, Norma Alves de Oliveira, médica psiquiatra e presidente da Associação Sergipana de Psiquiatria, falou sobre os “caminhos para a prevenção” ao suicídio. “Escuta Humanizada” foi o tema da exposição da professora Sílvia Maria de Aquino Neves, vice-presidente da Associação Amigos da Vida de Sergipe, entidade sem fins lucrativos que mantém o Centro de Valorização da Vida – CVV. O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT), Emerson Albuquerque, ministrou a palestra “Cuidando do cuidador: a atuação do MPT na defesa da saúde dos profissionais da rede de proteção”. Já o professor doutor Methanias Colaço, da Universidade Federal de Sergipe falou sobre o uso da tecnologia chatbot em favor da saúde mental e da vida, especificamente sobre o projeto RUMI, desenvolvido na UFS por ele e outros pesquisadores.
“Estamos tratando de uma questão que é grave, densa e complexa: a situação de pessoas com práticas de automutilação, suicídios e demandas na área de saúde mental. Começamos esse trabalho no início do ano, quando chegaram diversas notificações envolvendo crianças e adolescentes nesse contexto, o que nos preocupou bastante”, disse a promotora de Justiça Lilian Mendes, diretora do (CAOpIA). Ela está desenvolvendo o projeto “Vida”, cujo objetivo é buscar parceiros – a exemplo do CVV e da Associação Sergipana de Psiquiatria – e institucionalizar ações de capacitação para as redes de educação e de saúde.
O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho da 20ª Região, Emerson Albuquerque, avaliou o seminário como “muito importante, porque vai desencadear uma série de atuações conjuntas entre o MPT e o Ministério Público de Sergipe, e de todos os outros órgãos parceiros, para melhor enfrentar essa questão social”. “Acredito que teremos resultados muito positivos, a partir dessa somação de esforços”, ressaltou.
Para o jovem Vitor Cardoso, representante dos adolescentes no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), é fundamental construir oportunidades que apontem estratégias de prevenção. “Precisamos saber como abordar um adolescente com pensamentos suicidas, buscar meios eficientes para minimizar esse problema. O mais legal desse evento é ter a participação dos adolescentes, porque o conteúdo gerado aqui pode ser melhor compreendido e multiplicado”, comentou.
“Foi belíssimo este seminário!”, destacou a professora Sílvia Neves. Para ela, a disposição demonstrada pelos diversos atores sociais e a participação dos adolescentes têm um grande significado. “Acho que demos o pontapé inicial para essa junção do Ministério Público com o CVV e toda a sociedade na luta pela prevenção ao suicídio. Precisamos montar uma força-tarefa para transformar essa realidade”, disse. Para ser voluntário do CVV é preciso fazer uma pré-inscrição por meio do número (79) 99945-0506 e cumprir um plantão de quatro horas semanais. Ainda de acordo com Sílvia Neves, o curso preparatório deverá acontecer em março ou abril do próximo ano (2020). O serviço funciona 24 horas e é gratuito, basta ligar para o número 188.
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